Daquela nossa infância

E se tem uma coisa que já nasce bonita é a infância.
Ainda custo a entender a eternidade dela em minha vida.
É que diante das recordações, lembro sempre quem eu sou.
Não daquilo que se pode ver ou ouvir, mas daquele mistério escondido, perdido no meio de um faz de conta real.
Foi na rua que ela aconteceu…
Entre guerras de mamonas e bola queimada.
Entre construções inacabadas e rede de vôlei improvisada.
Entre brincadeiras de super-heróis, princesas e fazendeiras.
Entre coreografias inventadas e poesias decoradas para o dia das mães.
Entre brigas, desculpas, um tô de mal e um tô de bem.
Entre sonhos, amarelinha, parlendas e ventos de beijos.
Essas lembranças ainda passeiam por mim…
Lembro do baú mágico da minha mãe.
Dali saíam bonecas de pano, fantasias de carnaval e as memórias de um outro passado, de uma outra infância.
Lembro das camisolas longas de seda, que vestíamos escondidas achando que éramos princesas de conto de fadas.
Escalado sem medo, o alto guarda roupa escondia em caixas, verdadeiros sapatinhos de cristal.
E era assim, desse jeitinho que a gente sairia para passear quando crescesse.
Ainda sinto o cheiro dos almoços de domingo e do cafezinho da minha avó coado no meio da tarde.
Os adultos misturados na cozinha, falando da vida, entre receitas e prosas, moldando massas e criando uma verdadeira alquimia de sabores.
A mesa grande pronta para o jogo de baralho era o melhor passaporte para nossas travessuras.
Era nosso momento de total liberdade.
Liberdade de ser apenas aquela menina descalça que queria entender o mundo.
É, aquela menina não sabia o que era saudade.
Ela não imaginava, que tudo que ela precisava saber, ela aprenderia ali, naqueles curtos e infinitos anos.
Na simplicidade do coração e na pureza da sua alma.
As ruas da minha infância ainda caminham dentro de mim.
E por elas passeiam sem medo a criança que fui.
E essas memórias, ainda são o lenitivo que me alimentam ao longo da vida.
E só quem estava lá, consegue, mesmo que de longe, sentir os mesmos sabores daquela felicidade.
Porque pra gente, dia das crianças, era mesmo todo dia.

Dedico esse texto à todas que fizeram parte da minha infância: minhas primas e principalmente minha irmã. A gente cresce, e a vida nos leva por outras trilhas. Aquela ingenuidade já não existe e a gente já nem se conhece mais tão profundamente. Mas as recordações daquela época, eternizam o tempo, e fotografa dentro de nós os melhores momentos de um tempo feliz.

“Acho que a única razão de sermos tão apegados a memórias, é que elas não mudam, mesmo que as pessoas tenham mudado.”

Stella Verçosa

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Uma resposta para Daquela nossa infância

  1. Luciana disse:

    Verdadeiramente lindas ! Mas porque não consigo compartilhar no face ?

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